LENDAS PIAUIENSES

Cabeça-de-Cuia
Retrata um matricídio ocorrido na confluência do rio Parnaíba com o Rio Poti – local onde atualmente fica situado o Parque Ambiental Encontro dos Rios, no bairro Poti Velho. Em resumo a lenda conta a história de Crispim, um pescador violento que vivia com a mãe, numa velha choça, na confluência dos dois rios. Certo dia, ao voltar para casa sem ter conseguido pescar uma única piaba e ao perceber que não havia nada para comer, irritou-se e armando-se com um fêmur de boi, desferiu um golpe mortal contra a cabeça da mãe. A velha caiu ciscando, mas antes de bater a caçoleta, rogou-lhe uma maldição, condenando-o a viver como um monstro de cabeça grande, sob as águas do Parnaíba e do Poti e que só se desencantaria depois que desvirginasse sete Marias. Desesperado o pescador atirou-se n’água e, apesar da busca incessante, realizada nas noites de lua cheia, pelas ruas da cidade, ainda não encontrou as suas possíveis vítimas, razão pela qual a maldição continua e ainda hoje ele vive a assustar os pescadores e até os turistas que vão ao Encontro dos Rios.

Num-Se-Pode
Conta-se que uma linda mulher ficava pelas ruas de Teresina à espera dos homens que saiam à noite em busca de aventuras. Quando um homem se aproximava, ela pedia um cigarro; ao recebê-lo, começava a se transformar numa figura horripilante e ia crescendo até conseguir acender o cigarro na luz do lampião do precário sistema de iluminação pública da capital e enquanto o pobre homem corria, desesperado de terror, ela sai zombando, aos gritos: “Num-se-Pode”, “Num-se-Pode”...




Zabelê
É uma lenda que gira em torno do amor secreto de Zabelê, da tribo dos Amanajós com Metara, da tribo dos Pimenteiras. As duas tribos eram inimigas ferrenhas e como, em hipótese nenhuma, consentiriam aquele relacionamento, os dois passaram a se encontra às escondidas na margem do rio Itaim. Mandaú que nutria um amor não-correspondido por Zabelê, desconfiando de suas andanças a seguiu e ao encontrá-la nos braços do amado, levou algumas testemunhas para desmascará-la. O incidente gerou uma briga generalizada que resultou na morte dos amantes e de Mandaú. O novo incidente desencadeou uma guerra entre as duas tribos que durou sete sóis e sete luas. Tupã apiedando-se dos amantes, os transformou em duas aves que andam sempre juntas a cantar tristemente ao entardecer. Mandaú, o pivor de toda a desgraça, foi castigado e transformando num gato maracajá, e, devido o alto valor de sua pele, ainda hoje é perseguido pelos caçadores.

Miridan
A lenda gira em torno do nascimento de uma criança que resultou de um relacionamento secreto da filha de um morubixaba de uma das tribos da nação Acroá. Conta-se que a jovem não sabendo como esconder o filho, o colocou numa gamela e soltou nas águas do rio Paraim. Quando a gamela começou a flutuar e descer na correnteza, as águas do rio se transformaram num imenso lago que atualmente é conhecido como a Lagoa de Parnaguá. A mãe d’água ao ouvir o choro do menino amaldiçoou a mãe desnaturada e o recolheu para criar. Vivendo sob os cuidados da mãe-d’água o menino encantou-se e ainda hoje não houve quem conseguisse desencantá-lo. Dizem que, de vez em quando ele aparece, pela manhã como criança, na parte da tarde como adulto e à noite como um velho de barbas brancas.

Dentre outras lendas do Piauí também merecem destaque “A Corrente Misteriosa”, “A Porca do Dente de Ouro”, “Morou ou Tá na Boca”, “Alice”, “O Anel de São Gonçalo”, “O Peba João”, “A Porca Jaú”, “Barba-Ruiva” (uma variante de Miridan), “Haja-Pau”, o “Pé-de-Garrafa” e outras.